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Notícia publicada em 06/01/2018 - 07:02:53

Menina indígena dá entrada em hospital com larvas na boca em Vilhena

 

"É uma coisa desumana, que me tocou profundamente. Não só a mim como toda a equipe da pediatria", descreve o médico pediatra Luiz Antônio Dionello, sobre o estado de saúde de uma menina indígena de 12 anos.

 

A paciente, que não anda, deu entrada no Hospital Regional (HR) de Vilhena - RO esta semana, com larvas de mosca na boca. O HR foi informado de que a garota estava sendo cuidada na Casa de Saúde Indígena (Casai). A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) não quis se pronunciar sobre o caso.

A menina é da aldeia Bacurizal, localizada no município de Nova Lacerda - MT, mas, de acordo com o médico, sempre foi tratada na unidade de saúde rondoniense. Dionello explica que, quando tinha por volta dos sete anos, a garota sofreu uma doença viral e, com isso, ficou com sequelas neurológicas. Desde então, ela não fala e não anda.

Ela também não se alimenta sozinha e, por isso, usa uma sonda gástrica. Além disso, em virtude das complicações da doença, ela também tem dificuldades na respiração.

 


 

Menina é da aldeia Bacurizal, localizada no município de Nova Lacerda - MT, mas, de acordo com o médico, sempre foi tratada na unidade de saúde rondoniense.

“Ela estava, vou usar essa expressão popular, com uma bicheira no céu da boca, onde ela estava eliminando larvas. O que aconteceu é que pela dificuldade respiratória, ela fica com a boca semiaberta e uma mosca entrou e colocou os ovos lá dentro e se desenvolveu”, explica o pediatra.

Mais de 20 larvas foram retiradas da boca da menina. Ela foi medicada e o estado de saúde é estável, mas não há previsão de alta. “Não houve nenhuma obstrução respiratória, embora ela tenha corrido o risco tremendo de ter a obstrução, pela presença das larvas”, salienta.

O médico enfatiza que a índia precisa de cuidados especiais e não pode ficar na aldeia por causa das deficiências e problemas de saúde recorrentes, como pneumonia. “Ela estava gemendo, estava sentindo dor. Ela reconhece as pessoas, tem uma expressão de sensibilidade. É um ser humano, que nós temos que amar e respeitar”, enfatiza o médico.

 


 

Hospital Regional

De acordo com o Hospital Regional, a Casai informou que a menina não estava na aldeia. Segundo o HR, antes de ser internada, a garota estava na própria Casai, localizada na cidade de Vilhena - RO. Contudo, o hospital não soube informar a quanto tempo ela estava sobre os cuidados da Casa de Saúde Indígena.

O serviço social do HR enviou um documento a Casai perguntando sobre as condições em que a menina estava vivendo e os cuidados que ela recebia. A unidade de saúde também questionou sobre as condições de higiene da paciente e do local onde ela estava. De acordo com o setor, com a resposta, o hospital tomará as medidas necessárias. Uma das providências pode ser o encaminhamento da denúncia ao Ministério Público.

Secretaria Especial de Saúde Indígena

A reportagem procurou a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) em Vilhena, que disse que não iria se pronunciar sobre o assunto, pois ainda não havia sido notificada oficialmente sobre o caso.

O Ministério da Saúde está verificando a situação. A reportagem também foi até a Casai, mas foi proibida de entrar na unidade.

 

Matéria: G1/RO

 

 

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